sexta-feira, 24 de abril de 2009

O anjo e a morte

Insanidade

Aos bardos e poetas antigos, uma lenda foi contada, e esta possuía o segredo do equilíbrio do universo, história só perdura entre os espíritos noturnos e poetas da noite...

A morte, esposa derradeira de belos e simples homens, reis e guerreiros, heróis e sátrapas a todos possuía exceto a um anjo, ao qual sua corte de beijos gélidos e mórbidos suspiros não seduziu, ele vivia e morria todos os dias pois seu sangue era fel, e seu nome era Tempus, grãos de areia da ampulheta de Tempus brilhavam no céu ao anoitecer e ele emprestava o azul de seus olhos para o belo e claro dia e o atro e triste negro de seu coração para ser o manto celeste das estrelas.
Enquanto ele simplesmente vagava na terra em busca de algo que lhe foi negado pelo ceticismo de sua dor, a morte, senhora de tudo que existe... morria, porque onde ele passava flores surgiam e a natureza sorria a vida voltava radiante, mas ela o amava, e o amava com uma intensidade que fazia os mortos ouvirem. E ele em sua busca vaga, sem objetivo, sem esperança e sem paz; não a via. Ele não tinha o amor que ela tinha, talvez tivesse amor, amor pela luta, pela dor, pela justificativa de seu sofrimento porque tudo passa e nada, nada mesmo dura para sempre, o tempo sempre leva as coisas boas para a insanidade do destino.
A morte pereceu; estava doente, algo inexplicável, algo que doía, doía muito.
E só o tempo podia curar.
Já ele que sentia que nunca amaria de verdade, entendeu pela primeira vez que o destino é certo, mas é cego, e a morte é a única certeza, sempre de braços abertos no fim da vida.
Ele viu que seu ciclo já findara e se rendeu no fim esperado.
Mas a morte não fora busca-lo; ele chorou e perguntou a si:
Onde estás?
E a vida ao seu redor triste lhe falou que a morte se fora.
Ele notou que faltava algo, e tudo parou!
Loucamente a vida parou, e foi então que a morte surgiu e o tempo entendeu que seu papel sempre fora traçar o caminho de tudo e todos até ela; e agora traçava o seu.
Bem, se eles estão juntos? Não sei, o tempo nunca para, mas sempre vai até onde a vida acaba e começa os braços da morte.

Mas isso é só uma história de velhos anjos, e talvez nem possa ser verdade.

2 comentários:

  1. Depois dessa é Anjelus pra presidente!

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  2. Simplesmente maravilhoso!!!
    Adorei ler e até me identifiquei
    com a procura do anjo...
    Bjx!!!
    TE AMOOOOO!!!

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